A maioria dos investimentos são iniciados com base em previsões e estimativas. Plantam-se cereais com previsão nos consumos das pessoas. Fabricam-se tupperwares com previsão das compras que os consumidores farão. Produzem-se mais tshirts brancas do que roxas porque se analisam tendências de moda e gostos de consumo. Se tudo o que se produz se faz com base em estimativas, com que base se decide em Portugal o número de vagas do curso A e do curso B para o Ensino Superior? Com base nos interesses de cada instituição e com base nas propostas que estas mesmas fazem ao Ministério do Ensino Superior? Haverá alguma análise que antecede a autorização de leccionar os mesmos, sim é verdade, mas será que essa autorização é com base nas necessidades formativas a médio prazo? Não me parece.
Porque são abertas 500 vagas em direito e não 300? Porque em Engenharia são abertas 300 e não 500? Porque analisamos meramente o desejo dos clientes. Esta perspectiva até estaria acertada, não fosse o Estado o financiador do sistema. Defendo a total liberdade de escolha, no momento de escolha do curso, e por essa razão não defendo a tese de fechar de forma cega cursos sem empregabilidade. Mas defendo o racionamento das vagas desses mesmos cursos.
Como é possível continuarmos a ter falta de médicos e de engenheiros e excesso de licenciados em áreas de Educação, porque o meio profissional não os consegue admitir? Os contributos das Ordens para este processo baseiam-se efectivamente nas necessidades do mercado ou em qualquer interesse que não compreendo?
Este é um problema não de agora, mas desde que me recordo do sistema existir.
Se continuarmos a abrir vagas com base nas análises dos desejos dos consumidores (futuros alunos) continuaremos apenas a alimentar a bola de neve que cada vez é maior. Continuar a permitir que centenas de alunos se inscrevam em cursos com baixa empregabilidade, é apenas engordar a máquina do Estado, no sentido em que serão futuros desempregados que necessitarão da ajuda do Estado. Ou seja, o Estado é o principal alimentador desta bola de neve.
Como já referi, defendo a abertura de cursos que ainda assim, tenham baixa taxa de empregabilidade, mas em vez de 300 vagas, passam a entrar apenas 100, entram os melhores desses 300, que é o que acontece por exemplo em Medicina. (Não vou aqui discutir a questão do que é ser melhor e das capacidades de relação inter-pessoais imprescindíveis em determinadas profissões). Mas o mais importante não me parece ser a questão de números, mas outra, a de sabermos quantos e quais precisamos.
E agora a questão? Como se resolve este problema? Um país que aposta na formação, tem que impreterivelmente saber do que precisa, num prazo sempre superior a 5 anos (duração mínima da formação). E quem lhe pode responder a isso? As entidades empregadoras. Uma empresa quando faz um investimento elevado ou um plano de negócios, tem um plano de crescimento, sabe onde e como quer estar no médio prazo. Se consegue efectuar previsões de crescimento e definir as áreas estratégicas de actuação, então certamente que também saberá de que profissionais precisará e de que qualificações lhes terão que estar associadas. Que tipo de profissionais contratará nas suas expectativas?
Por isso, porque não fazer um Census Empresarial/Formativo? Perguntar a todas as entidades empregadoras (não só empresas) previsões de contratação. Não há compromisso nos dados que apresentam, pedindo-se apenas uma previsão o mais realista possível.
Haverá erros e alterações? Claro, como em todas as estimativas que se fazem, disso tratam as margens de erro. Mas julgo que pelo menos seria um contributo que permitiria cruzar necessidades e oferta. Sempre que ouço países como o Brasil ou a Suécia a dizerem que necessitam de 20 ou 40 mil engenheiros, não acho obviamente que um pseudo-cérebro analisou por alto essas necessidades. Se assim o for, então também os critico a eles.
Para além do contributo para o Estado, uma análise destes dados, permitiria dar aos jovens do 9º (em fase de escolha de área) e do 12º ano (prestes a entrar no Ensino Superior), uma noção de como estará o mercado quando finalizarem o curso.
É verdade que perante o momento económico em que vivemos, parece que todas as áreas se tornaram difíceis, que não existem áreas melhores que outras, e que nem os Engenheiros se safam. Mas independentemente do momento que vivemos, não podemos continuar a agravar o problema.
Mais do que discutir modelos, se devemos reduzir vagas no curso A ou aumentar no curso B, considero urgente que saibamos de quantos precisamos e de quais precisamos. Essa sim é a verdadeira e importante discussão!
estadosemmim
terça-feira, 26 de julho de 2011
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
DESEMPREGO E A PROPRIEDADE DE HABITAÇÃO
Culturalmente, Portugal é um país em que a sua população associa estabilidade ao facto de possuir casa própria. As sucessivas gerações de jovens são continuamente “pressionadas” e “educadas” a comprarem uma casa como se se tratasse de um investimento profundo e que garante estabilidade. Nunca me revi nesta linha de pensamento, contrariando as “dicas” familiares. Compreendo e acho natural que um jovem queira a sua casa (que não é sua, mas sim do banco durante 80% da sua vida…), mas simplesmente não me revejo.
No que diz respeito ao arrendamento, recentemente o presidente da Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário (CPCI) afirmou que «Portugal é o país da Europa com menos arrendamento, a seguir à Espanha».
A Espanha, para além de neste momento estar em primeiro lugar no índice de menores taxas de arrendamento está também a liderar o índice da taxa de desemprego
E é aqui que julgo que vale a pena reflectir e pensar. A relação taxa de desemprego e a propriedade de habitação.
Mercado de Arrendamento
“Em Portugal apenas 13% do mercado imobiliário se refere a aluguer de habitação, quando em França, Alemanha, Holanda, Áustria e Suécia o arrendamento já ultrapassa os 40% do mercado imobiliário.
Taxa de Desemprego
“As mais baixas taxas de desemprego verificam-se na Holanda, com 4,4 por cento, no Luxemburgo, com 4,8 por cento, e na Áustria que atinge os 5,1 por cento.”
Estes dados evidenciam a relação que referi, ou seja países com elevadas taxas de arrendamento têm um índice associado de baixas taxas de desemprego.
Esta relação justifica-se, a meu ver, por uma leitura um pouco mais profunda do que a razão do acesso ao crédito e das suas implicações, que muitas vezes conduzem a incumprimentos, por razões de desemprego dos clientes.
Se é verdade que este artigo de opinião poderá originar críticas e pontos de vista diferentes, também é verdade que estamos a falar de números reais, que resultam de observações cuidadas de factos e que por isso, os números são irrefutáveis, não os pontos de vista
Steven Landsburg, refere num dos seus últimos livros “Mais Sexo é mais seguro” (livro sobre economia de um ponto de vista irreverente), que, em média um aumento de 10% na taxa de propriedade está associada a 2% de aumento na taxa de desemprego. Landsburg refere-se ainda no seu texto, a Andrew Oswald, um professor da Universidade de Warwick, que estudou de forma aprofundada esta relação e que diz que a propriedade de habitação dá origem ao desemprego, pelo facto de comprometer as pessoas do ponto de vista geográfico.
Portugal é dos países da União Europeia com menor taxa de arrendamento, o que os promotores imobiliários atribuem à Justiça, referindo a morosidade na resolução de eventuais conflitos, mas também à falta de incentivos ao arrendamento. “
Se esta é efectivamente uma das barreiras ao aumento do mercado de arrendamento, recentemente tivemos uma excelente noticia do Governo, em que este anunciou “promover o investimento na reabilitação urbana e a dinamização do mercado de arrendamento, como meio de incentivar as actividades económicas associadas a este sector. Destaca-se a simplificação dos procedimentos e formalidades em caso de incumprimento do contrato de arrendamento, por forma a que o senhorio possa obter rapidamente a entrega do seu imóvel, livre e desimpedido, quando o inquilino não satisfaça os termos do contrato. Visa-se, assim, tornar o arrendamento num investimento seguro e atractivo, garantindo os direitos dos senhorios, sem prejuízo da manutenção de garantias adequadas aos arrendatários.”
Efectivamente este era um problema por resolver e que bloqueava o incentivo a este mercado. Ora vejamos por exemplo o caso de Nova Iorque. Nesta cidade alugar um apartamento é algo que apenas está acessível a alguns, devido aos valores escandalosamente aplicados. Por NY ter leis para o mercado de arrendamento que tornam o despejo de inquilinos, com sucessivos incumprimentos, praticamente impossíveis de serem resolvidos pela justiça, criou-se um problema maior. Os senhorios tornaram-se elevadamente selectivos no aluguer das suas casas, não facilitando e cobrando assim valores que não incentivam em nada o mercado de arrendamento.
Já em jeito de conclusão, importa referir que não acho que ser proprietário de uma casa seja mau, aliás quando estamos a falar de famílias constituídas e com crianças, está provado que mudanças sucessivas de habitação têm implicações negativas no sucesso escolar dos mais novos. O que acho é que o lema de uma casa para a vida não é necessariamente sinónimo de estabilidade. O que julgo que é importante, é que alugar casa hoje em dia pode dar até mais estabilidade, sobretudo nas novas gerações, no sentido de ser um compromisso de curto prazo, que permite que, perante novos desafios geográficos não se fique “agarrado” a compromissos que no passado faziam sentido, mas que deixaram de fazer.
As novas gerações têm a capacidade de sair de “zonas de conforto” e primam a possibilidade de constante adaptação e mobilidade, para que as suas escolhas sejam unicamente influenciadas pelos seus desejos e anseios.
Culturalmente, Portugal é um país em que a sua população associa estabilidade ao facto de possuir casa própria. As sucessivas gerações de jovens são continuamente “pressionadas” e “educadas” a comprarem uma casa como se se tratasse de um investimento profundo e que garante estabilidade. Nunca me revi nesta linha de pensamento, contrariando as “dicas” familiares. Compreendo e acho natural que um jovem queira a sua casa (que não é sua, mas sim do banco durante 80% da sua vida…), mas simplesmente não me revejo.
No que diz respeito ao arrendamento, recentemente o presidente da Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário (CPCI) afirmou que «Portugal é o país da Europa com menos arrendamento, a seguir à Espanha».
A Espanha, para além de neste momento estar em primeiro lugar no índice de menores taxas de arrendamento está também a liderar o índice da taxa de desemprego
E é aqui que julgo que vale a pena reflectir e pensar. A relação taxa de desemprego e a propriedade de habitação.
Mercado de Arrendamento
“Em Portugal apenas 13% do mercado imobiliário se refere a aluguer de habitação, quando em França, Alemanha, Holanda, Áustria e Suécia o arrendamento já ultrapassa os 40% do mercado imobiliário.
Taxa de Desemprego
“As mais baixas taxas de desemprego verificam-se na Holanda, com 4,4 por cento, no Luxemburgo, com 4,8 por cento, e na Áustria que atinge os 5,1 por cento.”
Estes dados evidenciam a relação que referi, ou seja países com elevadas taxas de arrendamento têm um índice associado de baixas taxas de desemprego.
Esta relação justifica-se, a meu ver, por uma leitura um pouco mais profunda do que a razão do acesso ao crédito e das suas implicações, que muitas vezes conduzem a incumprimentos, por razões de desemprego dos clientes.
Se é verdade que este artigo de opinião poderá originar críticas e pontos de vista diferentes, também é verdade que estamos a falar de números reais, que resultam de observações cuidadas de factos e que por isso, os números são irrefutáveis, não os pontos de vista
Steven Landsburg, refere num dos seus últimos livros “Mais Sexo é mais seguro” (livro sobre economia de um ponto de vista irreverente), que, em média um aumento de 10% na taxa de propriedade está associada a 2% de aumento na taxa de desemprego. Landsburg refere-se ainda no seu texto, a Andrew Oswald, um professor da Universidade de Warwick, que estudou de forma aprofundada esta relação e que diz que a propriedade de habitação dá origem ao desemprego, pelo facto de comprometer as pessoas do ponto de vista geográfico.
Portugal é dos países da União Europeia com menor taxa de arrendamento, o que os promotores imobiliários atribuem à Justiça, referindo a morosidade na resolução de eventuais conflitos, mas também à falta de incentivos ao arrendamento. “
Se esta é efectivamente uma das barreiras ao aumento do mercado de arrendamento, recentemente tivemos uma excelente noticia do Governo, em que este anunciou “promover o investimento na reabilitação urbana e a dinamização do mercado de arrendamento, como meio de incentivar as actividades económicas associadas a este sector. Destaca-se a simplificação dos procedimentos e formalidades em caso de incumprimento do contrato de arrendamento, por forma a que o senhorio possa obter rapidamente a entrega do seu imóvel, livre e desimpedido, quando o inquilino não satisfaça os termos do contrato. Visa-se, assim, tornar o arrendamento num investimento seguro e atractivo, garantindo os direitos dos senhorios, sem prejuízo da manutenção de garantias adequadas aos arrendatários.”
Efectivamente este era um problema por resolver e que bloqueava o incentivo a este mercado. Ora vejamos por exemplo o caso de Nova Iorque. Nesta cidade alugar um apartamento é algo que apenas está acessível a alguns, devido aos valores escandalosamente aplicados. Por NY ter leis para o mercado de arrendamento que tornam o despejo de inquilinos, com sucessivos incumprimentos, praticamente impossíveis de serem resolvidos pela justiça, criou-se um problema maior. Os senhorios tornaram-se elevadamente selectivos no aluguer das suas casas, não facilitando e cobrando assim valores que não incentivam em nada o mercado de arrendamento.
Já em jeito de conclusão, importa referir que não acho que ser proprietário de uma casa seja mau, aliás quando estamos a falar de famílias constituídas e com crianças, está provado que mudanças sucessivas de habitação têm implicações negativas no sucesso escolar dos mais novos. O que acho é que o lema de uma casa para a vida não é necessariamente sinónimo de estabilidade. O que julgo que é importante, é que alugar casa hoje em dia pode dar até mais estabilidade, sobretudo nas novas gerações, no sentido de ser um compromisso de curto prazo, que permite que, perante novos desafios geográficos não se fique “agarrado” a compromissos que no passado faziam sentido, mas que deixaram de fazer.
As novas gerações têm a capacidade de sair de “zonas de conforto” e primam a possibilidade de constante adaptação e mobilidade, para que as suas escolhas sejam unicamente influenciadas pelos seus desejos e anseios.
sábado, 23 de outubro de 2010
O poder de compra concelhio - De 2000 para 2007 o poder de compra de Rio Maior aumentou significativamente
Foi recentemente publicado, pelo Instituto Nacional de Estatística, o estudo sobre o Poder de Compra Concelhio relativo a dados de 2007. A importância deste estudo recai sobretudo, em conhecer de um ponto de vista local a realidade económica de cada concelho, pois o poder de compra dos cidadãos locais é resultado das políticas públicas praticadas.
Em 2007, 39 Municípios superavam o poder de compra per capita médio nacional. Este dados deixam clara a associação positiva entre o grau de urbanização das unidades territoriais e o poder de compra aí manifestado quotidianamente.
De um ponto de vista mais local, esta afirmação aplica-se ao Concelho de Rio Maior. O investimento dos últimos 10 anos no Concelho tem impactos directos nas economias pessoais de cada Riomaiorense. Mais creches, mais centros escolares e mais alunos na Escola Superior de Desporto. Mais espaços verdes, mais parques infantis, mais equipamento de apoio aos idosos. Mais e melhores acessibilidades, mais infra-estruturas desportivas e culturais, mais e melhores serviços.
Em Rio Maior o indicador per Capita era de 73.82 em 2000, tendo registado um aumento de cerca de 10 pontos para 2007, com um valor de 83,01. Este indicador traduz o poder de compra manifestado quotidianamente, em termos per capita, tendo por referência o valor nacional.
A percentagem do poder de compra no Concelho registou um aumento de 0,1484 para 0,171. Estes valores reflectem o peso do poder de compra do Município de Rio Maior no total do país.
Por estas razões importa cada vez mais prosseguir com as políticas dos últimos 20 anos, pois só assim se melhora a qualidade de vida dos Riomaiorenses e, sobretudo, se cativam novos públicos para escolherem Rio Maior como a sua terra.
A importância da prossecução de projectos já iniciados e de apostar no investimento público obriga a uma atitude de seriedade e de acompanhamento permanente dos projectos, garantindo que os mesmos não são esquecidos. Importa que este crescimento se mantenha, aumentando assim o poder de compra das gerações actuais e criando alicerces de construção nas gerações futuras.
O preço a pagar, se não se encontrarem formas de atrair novos públicos, acabará por se sentir no poder de compra de cada um de nós. Os Riomaiorenses sempre tiveram uma atitude de olhar pela sua terra, mas com um olhar de futuro, de trazer mais e melhor investimento responsável para Rio Maior. Mas não basta a vontade, os responsáveis políticos têm de incentivar essa mesma atitude disponibilizando as ferramentas que se conhecem.
Publicado na edição de 22.10.2010 do Jornal Região de Rio Maior
Em 2007, 39 Municípios superavam o poder de compra per capita médio nacional. Este dados deixam clara a associação positiva entre o grau de urbanização das unidades territoriais e o poder de compra aí manifestado quotidianamente.
De um ponto de vista mais local, esta afirmação aplica-se ao Concelho de Rio Maior. O investimento dos últimos 10 anos no Concelho tem impactos directos nas economias pessoais de cada Riomaiorense. Mais creches, mais centros escolares e mais alunos na Escola Superior de Desporto. Mais espaços verdes, mais parques infantis, mais equipamento de apoio aos idosos. Mais e melhores acessibilidades, mais infra-estruturas desportivas e culturais, mais e melhores serviços.
Em Rio Maior o indicador per Capita era de 73.82 em 2000, tendo registado um aumento de cerca de 10 pontos para 2007, com um valor de 83,01. Este indicador traduz o poder de compra manifestado quotidianamente, em termos per capita, tendo por referência o valor nacional.
A percentagem do poder de compra no Concelho registou um aumento de 0,1484 para 0,171. Estes valores reflectem o peso do poder de compra do Município de Rio Maior no total do país.
Por estas razões importa cada vez mais prosseguir com as políticas dos últimos 20 anos, pois só assim se melhora a qualidade de vida dos Riomaiorenses e, sobretudo, se cativam novos públicos para escolherem Rio Maior como a sua terra.
A importância da prossecução de projectos já iniciados e de apostar no investimento público obriga a uma atitude de seriedade e de acompanhamento permanente dos projectos, garantindo que os mesmos não são esquecidos. Importa que este crescimento se mantenha, aumentando assim o poder de compra das gerações actuais e criando alicerces de construção nas gerações futuras.
O preço a pagar, se não se encontrarem formas de atrair novos públicos, acabará por se sentir no poder de compra de cada um de nós. Os Riomaiorenses sempre tiveram uma atitude de olhar pela sua terra, mas com um olhar de futuro, de trazer mais e melhor investimento responsável para Rio Maior. Mas não basta a vontade, os responsáveis políticos têm de incentivar essa mesma atitude disponibilizando as ferramentas que se conhecem.
Publicado na edição de 22.10.2010 do Jornal Região de Rio Maior
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
O investimento na educação (es)colhe-se
Quando a direita afirma que só deve estar na escola quem quer, é o claro sinal de que dá como adquirido a mais pura falsa das afirmações: “De que todos partimos do mesmo ponto”. Ignorando diferenças sociais, ignorando desigualdades e ignorando barreiras que não são opções, é fácil dizer que o mundo é feito de escolhas. Pois bem, quando nascemos não escolhemos em que país queremos viver, em que família queremos nascer e o que queremos ter. Cabe aos Governos implementar medidas que reduzam estas desigualdades e há bens e serviços que não se dão a escolher. Só no momento em que haja a garantia de que todos têm igual acesso a esses bens essenciais, aí sim escolhemos, porque só aí será justo fazer comparações, fazer opções.
Escolher? Na altura de Salazar optava-se quem ia à escola e quem não ia...Pois bem, ainda hoje pagamos o custo das opções que milhares de crianças da altura não fizeram e que lhes foram impostas e que só agora, já adultos, podem escolher voltar a estudar.
Por vezes julgo que uma grande fracção da população portuguesa não tem consciência dos passos que se têm dado a nível de educação no nosso país.
Julgo também que não se tem noção da importância que esse investimento tem para Portugal e dos resultados económicos que isso gera, para nem falar no progresso que temos como povo.
Trabalhadores mais instruídos são trabalhadores muito mais produtivos. Dados dos EUA indicam que trabalhadores com formação superior são três vezes mais produtivos, e que um trabalhador com o ensino secundário é 1,8 vezes mais produtivo do que um trabalhador, com uma habilitação inferior ao 9º ano. Já em 1971, Edwin Mansfiled, descobriu através de um estudo que os presidentes de companhias que mais depressa adoptaram novas tecnologias complexas eram, em média mais novos e com maior nível de formação do que os chefes das empresas mais lentos a inovar.
Quando falamos em China, ainda há quem visualize como primeira imagem as chamadas lojas dos 300. Pois, mas a China distante é bem diferente e alguns passos a nível governativo estão a ser dados, como sinal de que algo está mudar.
A economia da China chegará em 2040 aos 86 000 000 000 000 € (86 biliões de euros!). Isto é equivalente a três vezes o produto económico de todo o mundo em 2000.
O rendimento per capita da China ultrapassará os 59 mil euros, mais do dobro do previsto para a EU. A China do ano 2000 classificada como pobre, passará a ser classificada como uma nação super rica em 2040.
Robert Fogel (Prémio Nobel da Economia em 2003) escreveu um excelente artigo em que analisa o porquê deste crescimento futuro. Um dos factores essenciais é o investimento que está a ser feito na educação.
Na China, as inscrições no ensino secundário e no ensino superior estão a crecer de forma regular devido a investimentos significativos. Em 1998, quando se iniciou o forte apelo às inscrições no ensino superior, apenas 3,4 milhões de chineses estavam matriculados no ensino superior chinês. No 4 anos que se seguiram a percentagem de estudantes no ensino superior aumentou 165% e o número de chineses a estudar no estrangeiro aumentou 152%.
Fogel acredita que durante a próxima geração a China conseguirá aumentar a taxa de inscrição no ensino secundário para perto dos 100% e no ensino superior para 50%.
Hoje ficámos a saber que neste momento a China tornou-se na 2ª maior economia do mundo, destronando o poderoso Japão. Julgo que em pouco mais de uma década atingirá o 1º lugar do pódio.
O facto de Portugal ter um nível médio de escolaridade aquém do desejável, quando em comparação com outros países da EU, tem um custo elevado no PIB. Se o capital humano for mais valorizado o PIB apresentaria crescimentos superiores. Robert Barro, da Universidade de Harvard e Jong-Wha Lee, do banco Asiático para o Desenvolvimento, estimam que um ano a mais de escolaridade média representa um ganho no PIB nacional entre 5% e 12%.
O investimento nos últimos anos na educação espelha a viragem que indicia um excelente ponto de partida. E as reformas não foram apenas nos níveis de ensino mais elevados, a mudança na base e no início da educação foi essencial. É certo que demoraremos uma a duas gerações para sentir alguns dos resultados práticos, mas dentro de 10 anos, os jovens que ingressarão no mercado de trabalho, terão um inglês ao nível dos melhores e uma capacidade de interacção com as tecnologias adaptada ao que será o mundo de então.
É certo que não podemos olhar para a educação de forma crua e com base apenas em números de anos de escolaridade, mas não hajam dúvidas que o investimento na educação altera um país.
Só quem não vive o verdadeiro país, não sabe o que mudou. Quantos jovens da minha idade, à noite em casa, não ajudam e ensinam os pais a manusear o computador? Quantas mães e pais, que na altura em que deviam ter andado na escola e não andaram porque o sistema não lhes deu oportunidades, não voltaram a estudar no Programa Novas Oportunidades e dizem em alta voz que nunca é tarde para aprender? Será que alguém pode medir os efeitos a nível de auto-estima e confiança que isto produz?
Quantos jovens que ingressam na experiência de estudar/trabalhar no estrangeiro, com uma adaptação rápida em que o inglês aprendido na escola se torna no maior veículo de adaptação?
Assistimos em plenas famílias a um dado adquirido "Ninguém é velho demais que não possa aprender e ninguém é novo demais que não possa ensinar".
Escolher? Na altura de Salazar optava-se quem ia à escola e quem não ia...Pois bem, ainda hoje pagamos o custo das opções que milhares de crianças da altura não fizeram e que lhes foram impostas e que só agora, já adultos, podem escolher voltar a estudar.
Por vezes julgo que uma grande fracção da população portuguesa não tem consciência dos passos que se têm dado a nível de educação no nosso país.
Julgo também que não se tem noção da importância que esse investimento tem para Portugal e dos resultados económicos que isso gera, para nem falar no progresso que temos como povo.
Trabalhadores mais instruídos são trabalhadores muito mais produtivos. Dados dos EUA indicam que trabalhadores com formação superior são três vezes mais produtivos, e que um trabalhador com o ensino secundário é 1,8 vezes mais produtivo do que um trabalhador, com uma habilitação inferior ao 9º ano. Já em 1971, Edwin Mansfiled, descobriu através de um estudo que os presidentes de companhias que mais depressa adoptaram novas tecnologias complexas eram, em média mais novos e com maior nível de formação do que os chefes das empresas mais lentos a inovar.
Quando falamos em China, ainda há quem visualize como primeira imagem as chamadas lojas dos 300. Pois, mas a China distante é bem diferente e alguns passos a nível governativo estão a ser dados, como sinal de que algo está mudar.
A economia da China chegará em 2040 aos 86 000 000 000 000 € (86 biliões de euros!). Isto é equivalente a três vezes o produto económico de todo o mundo em 2000.
O rendimento per capita da China ultrapassará os 59 mil euros, mais do dobro do previsto para a EU. A China do ano 2000 classificada como pobre, passará a ser classificada como uma nação super rica em 2040.
Robert Fogel (Prémio Nobel da Economia em 2003) escreveu um excelente artigo em que analisa o porquê deste crescimento futuro. Um dos factores essenciais é o investimento que está a ser feito na educação.
Na China, as inscrições no ensino secundário e no ensino superior estão a crecer de forma regular devido a investimentos significativos. Em 1998, quando se iniciou o forte apelo às inscrições no ensino superior, apenas 3,4 milhões de chineses estavam matriculados no ensino superior chinês. No 4 anos que se seguiram a percentagem de estudantes no ensino superior aumentou 165% e o número de chineses a estudar no estrangeiro aumentou 152%.
Fogel acredita que durante a próxima geração a China conseguirá aumentar a taxa de inscrição no ensino secundário para perto dos 100% e no ensino superior para 50%.
Hoje ficámos a saber que neste momento a China tornou-se na 2ª maior economia do mundo, destronando o poderoso Japão. Julgo que em pouco mais de uma década atingirá o 1º lugar do pódio.
O facto de Portugal ter um nível médio de escolaridade aquém do desejável, quando em comparação com outros países da EU, tem um custo elevado no PIB. Se o capital humano for mais valorizado o PIB apresentaria crescimentos superiores. Robert Barro, da Universidade de Harvard e Jong-Wha Lee, do banco Asiático para o Desenvolvimento, estimam que um ano a mais de escolaridade média representa um ganho no PIB nacional entre 5% e 12%.
O investimento nos últimos anos na educação espelha a viragem que indicia um excelente ponto de partida. E as reformas não foram apenas nos níveis de ensino mais elevados, a mudança na base e no início da educação foi essencial. É certo que demoraremos uma a duas gerações para sentir alguns dos resultados práticos, mas dentro de 10 anos, os jovens que ingressarão no mercado de trabalho, terão um inglês ao nível dos melhores e uma capacidade de interacção com as tecnologias adaptada ao que será o mundo de então.
É certo que não podemos olhar para a educação de forma crua e com base apenas em números de anos de escolaridade, mas não hajam dúvidas que o investimento na educação altera um país.
Só quem não vive o verdadeiro país, não sabe o que mudou. Quantos jovens da minha idade, à noite em casa, não ajudam e ensinam os pais a manusear o computador? Quantas mães e pais, que na altura em que deviam ter andado na escola e não andaram porque o sistema não lhes deu oportunidades, não voltaram a estudar no Programa Novas Oportunidades e dizem em alta voz que nunca é tarde para aprender? Será que alguém pode medir os efeitos a nível de auto-estima e confiança que isto produz?
Quantos jovens que ingressam na experiência de estudar/trabalhar no estrangeiro, com uma adaptação rápida em que o inglês aprendido na escola se torna no maior veículo de adaptação?
Assistimos em plenas famílias a um dado adquirido "Ninguém é velho demais que não possa aprender e ninguém é novo demais que não possa ensinar".
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Energia Nuclear, no jardim um reactor!
A energia nuclear não constitui nenhum milagre para a resolução da dependência energética e do problema ambiental.
Os defensores da energia nuclear invocam muitas vezes questões ambientais, nomeadamente as vantagens no facto de a energia nuclear não contribuir para o efeito de estufa e invocam que o impacto na biosfera é muito diminuto. Sejamos sérios, ao falar de energia nuclear teremos de falar de todo o processo necessário para esta operação, o que nos vai permitir desmentir estas afirmações e perceber que a produção de gases de estufa é entre 3 a 6 vezes superior se comparada com a energia eólica ou hídrica, nomeadamente nas centrais nucleares.
Também a questão do armazenamento dos resíduos ainda não tem uma solução de localização e segurança e convém lembrar que esses mesmos resíduos emitem radioactividade durante muitos e maus longos anos.
Mas se os defensores da energia nuclear querem um debate sério sobre o assunto, terão de procurar novos argumentos que não os pseudo-ambientalistas, sobretudo num país em que o investimento nas energias renováveis está à vista e permitiu que Portugal no mês de Maio tenha atingido um saldo positivo na balança energética. Ou seja, exportou mais energia do que a que importou!
É necessário estar atento, há dezenas de países interessados em aderir ao “clube nuclear” e o número de novos reactores em projecto tem três dígitos.
É ínfima a quantidade da dependência dos reactores para necessidade energética em países como o Brasil, China e índia, no entanto se as instalações que se projectam forem concretizadas esta dependência certamente aumentará. A dependência de países como a França e a Ucrânia já é inversa o que torna alarmantes os dados (77 e 48% respectivamente). Para que tenhamos noção do que se avizinha a Rússia tem 37 reactores nucleares em construção e a Tailândia cerca de 100.
Multipliquemos o número de reactores projectados ou em construção pelo custo estimado para cada reactor, entre 4 a 7 mil milhões de euros. Some-se a isso o tempo de execução do projecto 9 a 12 anos.
Outra bandeira dos defensores da energia nuclear é de que ela suprime as crescentes necessidades energéticas do mundo e que como já referi, que promove a mudança climática. Num mundo irrealista talvez…mas todos seriamos poucos para construir a quantidade necessária de reactores que tornaria isso possível.
As estimativas dizem que a procura de electricidade duplicará até 2030. Actualmente a quota de energia nuclear é de 15% da energia global produzida. Para manter essa mesma quota em 2030, será necessário construir um reactor de 100MWatt a cada 16 dias durante os próximos 20 anos!
Mas há mais, a estimativa relativa às emissões de gases com efeito de estufa é de que estes dupliquem até 2050, passando dos actuais 7mil milhões toneladas/ano para 14 mil milhões toneladas/ano de CO2.
Pois bem, para quem afirma que a teoria de que a energia nuclear é benfeitora nesta matérias, que se saiba que para que esta energia compense uma pequena fracção APENAS dos 7 mil milhões adicionais, seria necessário que entrasse em funcionamento um reactor de 1000MWatts a cada 14 dias, a partir de hoje até 2050.
Poderia também aqui falar de acidentes sobejamente conhecidos por todos, como é o caso de Chernobyl, mas até pequenos casos servem de relato, como é o caso do acidente radiológico de Goiânia, no Brasil em 1987, onde foi furtada uma pedra de sal de cloreto de Césio-137, um isótopo radioactivo, de um hospital abandonado, que nos elucida sobre a (in)segurança associada à energia nuclear.
Enquanto estes problemas não apresentarem soluções sim, serei contra a energia nuclear. Mas importa discuti-la, para efectivamente todos podermos ficar elucidados em conjunto.
Os defensores da energia nuclear invocam muitas vezes questões ambientais, nomeadamente as vantagens no facto de a energia nuclear não contribuir para o efeito de estufa e invocam que o impacto na biosfera é muito diminuto. Sejamos sérios, ao falar de energia nuclear teremos de falar de todo o processo necessário para esta operação, o que nos vai permitir desmentir estas afirmações e perceber que a produção de gases de estufa é entre 3 a 6 vezes superior se comparada com a energia eólica ou hídrica, nomeadamente nas centrais nucleares.
Também a questão do armazenamento dos resíduos ainda não tem uma solução de localização e segurança e convém lembrar que esses mesmos resíduos emitem radioactividade durante muitos e maus longos anos.
Mas se os defensores da energia nuclear querem um debate sério sobre o assunto, terão de procurar novos argumentos que não os pseudo-ambientalistas, sobretudo num país em que o investimento nas energias renováveis está à vista e permitiu que Portugal no mês de Maio tenha atingido um saldo positivo na balança energética. Ou seja, exportou mais energia do que a que importou!
É necessário estar atento, há dezenas de países interessados em aderir ao “clube nuclear” e o número de novos reactores em projecto tem três dígitos.
É ínfima a quantidade da dependência dos reactores para necessidade energética em países como o Brasil, China e índia, no entanto se as instalações que se projectam forem concretizadas esta dependência certamente aumentará. A dependência de países como a França e a Ucrânia já é inversa o que torna alarmantes os dados (77 e 48% respectivamente). Para que tenhamos noção do que se avizinha a Rússia tem 37 reactores nucleares em construção e a Tailândia cerca de 100.
Multipliquemos o número de reactores projectados ou em construção pelo custo estimado para cada reactor, entre 4 a 7 mil milhões de euros. Some-se a isso o tempo de execução do projecto 9 a 12 anos.
Outra bandeira dos defensores da energia nuclear é de que ela suprime as crescentes necessidades energéticas do mundo e que como já referi, que promove a mudança climática. Num mundo irrealista talvez…mas todos seriamos poucos para construir a quantidade necessária de reactores que tornaria isso possível.
As estimativas dizem que a procura de electricidade duplicará até 2030. Actualmente a quota de energia nuclear é de 15% da energia global produzida. Para manter essa mesma quota em 2030, será necessário construir um reactor de 100MWatt a cada 16 dias durante os próximos 20 anos!
Mas há mais, a estimativa relativa às emissões de gases com efeito de estufa é de que estes dupliquem até 2050, passando dos actuais 7mil milhões toneladas/ano para 14 mil milhões toneladas/ano de CO2.
Pois bem, para quem afirma que a teoria de que a energia nuclear é benfeitora nesta matérias, que se saiba que para que esta energia compense uma pequena fracção APENAS dos 7 mil milhões adicionais, seria necessário que entrasse em funcionamento um reactor de 1000MWatts a cada 14 dias, a partir de hoje até 2050.
Poderia também aqui falar de acidentes sobejamente conhecidos por todos, como é o caso de Chernobyl, mas até pequenos casos servem de relato, como é o caso do acidente radiológico de Goiânia, no Brasil em 1987, onde foi furtada uma pedra de sal de cloreto de Césio-137, um isótopo radioactivo, de um hospital abandonado, que nos elucida sobre a (in)segurança associada à energia nuclear.
Enquanto estes problemas não apresentarem soluções sim, serei contra a energia nuclear. Mas importa discuti-la, para efectivamente todos podermos ficar elucidados em conjunto.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
PROFISSÃO: LICENCIADA EM ENGENHARIA
A Ordem dos Engenheiros designa-se como uma “associação pública representativa dos licenciados em Engenharia que exercem a profissão de engenheiro”. “A Ordem é independente dos órgãos do Estado e goza de autonomia administrativa, financeira, científica, disciplinar e regulamentar.” Nos seus estatutos, consta ainda nas suas atribuições “Atribuir o título profissional de engenheiro e regulamentar o exercício da respectiva profissão.”
Defendo a importância das Ordens, no sentido em que, aqueles que dela quiserem fazer parte gozam de protecção e zelo das suas actividades e defesa dos seus interesses no exercício da sua actividade. Considero-as ainda importantes para serem ouvidas em decisões que alterem procedimentos e regras a nível de engenharia, no presente caso. O que não posso defender é que seja uma entidade como a Ordem a dizer-me se sou ou não sou Engenheira. Quem homologa os cursos de Ensino Superior é o Ministério competente. Assim, se é o MCTES que homologa os cursos superiores, é a ele que cabe o reconhecimento dos profissionais resultantes dos cursos de ensino superior. Se o Ministério reconheceu que o curso está estruturado de acordo com o exigido, se cumpre com os conteúdos programáticos necessários para o exercício da profissão, se permitiu que milhares de alunos os integrassem, então apenas reconheço ao Ministério para me dizer se sou ou não sou engenheira. Não posso reconhecer a Ordem no sentido de ser ela quem me diz se sou ou não sou Engenheira. A minha profissão não é Licenciada em Engenharia, a minha profissão é Engenheira, caso o esteja a exercer. Até porque não consigo compreender também porque é que alguns cursos superiores são dispensados do exame de admissão à Ordem e outros não (obviamente que os dispensados são + de 90% Universidades e entre as quais constam estabelecimentos de Ensino Privado).
Não me pronuncio sobre as Ordens de outras áreas profissionais, porque não conheço em profundidade o seu funcionamento e importância para exercício da profissão, por isso fico-me pela Ordem dos Engenheiros.
A verdade é que o exercício da minha área de Engenharia não necessita da Ordem para exercer alguma acção em específico, no entanto, o mesmo não poderão dizer os Engenheiros Civis ou Electrotécnicos.
Esta é uma luta que terá de passar pela união dos lesados, junto da justiça. Tenho sérias dúvidas se alguma vez o Tribunal Europeu iria compadecer com esta discriminação, de limitação de acesso à profissão…
Defendo a importância das Ordens, no sentido em que, aqueles que dela quiserem fazer parte gozam de protecção e zelo das suas actividades e defesa dos seus interesses no exercício da sua actividade. Considero-as ainda importantes para serem ouvidas em decisões que alterem procedimentos e regras a nível de engenharia, no presente caso. O que não posso defender é que seja uma entidade como a Ordem a dizer-me se sou ou não sou Engenheira. Quem homologa os cursos de Ensino Superior é o Ministério competente. Assim, se é o MCTES que homologa os cursos superiores, é a ele que cabe o reconhecimento dos profissionais resultantes dos cursos de ensino superior. Se o Ministério reconheceu que o curso está estruturado de acordo com o exigido, se cumpre com os conteúdos programáticos necessários para o exercício da profissão, se permitiu que milhares de alunos os integrassem, então apenas reconheço ao Ministério para me dizer se sou ou não sou engenheira. Não posso reconhecer a Ordem no sentido de ser ela quem me diz se sou ou não sou Engenheira. A minha profissão não é Licenciada em Engenharia, a minha profissão é Engenheira, caso o esteja a exercer. Até porque não consigo compreender também porque é que alguns cursos superiores são dispensados do exame de admissão à Ordem e outros não (obviamente que os dispensados são + de 90% Universidades e entre as quais constam estabelecimentos de Ensino Privado).
Não me pronuncio sobre as Ordens de outras áreas profissionais, porque não conheço em profundidade o seu funcionamento e importância para exercício da profissão, por isso fico-me pela Ordem dos Engenheiros.
A verdade é que o exercício da minha área de Engenharia não necessita da Ordem para exercer alguma acção em específico, no entanto, o mesmo não poderão dizer os Engenheiros Civis ou Electrotécnicos.
Esta é uma luta que terá de passar pela união dos lesados, junto da justiça. Tenho sérias dúvidas se alguma vez o Tribunal Europeu iria compadecer com esta discriminação, de limitação de acesso à profissão…
segunda-feira, 8 de março de 2010
O optimismo que não aparece
Isabel Stilwell escreveu recentemente num jornal diário gratuito, um editorial intitulado "Contra factos há o optimismo". A escritora aborda um inquérito recentemente divulgado pela Comissão Europeia, relativo ao clima social na UE. Desse inquérito resultam dados que afirmam que a maioria dos portugueses considera que a sua vida, em termos gerais, piorou nos últimos cinco anos.
Stilweel escreve "Simplesmente, suspeito que se há cinco anos nos tivessem feito a mesma pergunta, daríamos exactamente a mesma resposta, e assim sucessivamente até ao nostálgico tempo dos Descobrimentos, que convencionamos ter sido o El Dourado nacional. Suspeito, sim senhora que adoramos a postura de coitadinhos, de vítimas de governantes convencidos, de que "alguém", que não nós mesmos, vai resolver os nossos problemas".
Pois bem, identifico-me com as palavras de Stilwell. A minha geração cresceu, em parte, a ouvir o constante, "dantes é que era bom", "dantes é que éramos bem tratados", "dantes éramos ouvidos", "dantes...
Dantes, pois bem, o meu pai sempre me disse que as pessoas têm memória curta, facto este que é geral, e que não o considero como um defeito ou problema mas é quase como uma condição inata do ser humano. A ingratidão por sinal, é que já é certamente um defeito. Num momento, em que tanto se fala de liberdade, repugna-me ver manifestações com cartazes cujas inscrições dizem "Volta Salazar, estás perdoado!" Terão os autores destas frases nascido noutro planeta? Mais grave, os autores destas frases, viveram o antes - 25 de Abril, na sua maioria. Será a memória assim tão curta que lhes tenha apagado momentos de sofrimento de todo um povo oprimido e sujeito à ditadura daqueles que sendo poucos decidiam o que era melhor para todos?
Aprecio especialmente a época do 25 de Abril, apesar de não a ter vivido. Felizmente cresci em liberdade mas a coragem daqueles homens foi-me transmitida como um exemplo. Às vezes pergunto-me se como povo, nos esquecemos da pobreza envergonhada e silenciosa em que os portugueses viviam, num silêncio de pensadores consigo próprios?
O meu pai, que muito me ensina, por vezes diz em jeito de brincadeira "Há gente que devia pagar multa por falar". Pois bem, quem exibe cartazes destes pelas ruas, pondo certamente as crianças a pensar que Salazar era um super-herói do tempo dos avós, se não devia pagar multa, deveria pelo menos ter sido brindada com um pouco mais de inteligência, um pouco mais de respeito e um monte de valores que serão tantos em falta que ficaria aqui o resto do dia a enumerá-los.
Cansa-me que tantas pessoas se agarrem a um passado que não foi melhor. A um passado que uns poderão dizer que eram mais felizes (porque o conceito de felicidade é individual e pessoal), mas que certamente não era melhor.
As memórias das vivências falarão por si, ou em alguns casos se apagarão por si...
Stilweel escreve "Simplesmente, suspeito que se há cinco anos nos tivessem feito a mesma pergunta, daríamos exactamente a mesma resposta, e assim sucessivamente até ao nostálgico tempo dos Descobrimentos, que convencionamos ter sido o El Dourado nacional. Suspeito, sim senhora que adoramos a postura de coitadinhos, de vítimas de governantes convencidos, de que "alguém", que não nós mesmos, vai resolver os nossos problemas".
Pois bem, identifico-me com as palavras de Stilwell. A minha geração cresceu, em parte, a ouvir o constante, "dantes é que era bom", "dantes é que éramos bem tratados", "dantes éramos ouvidos", "dantes...
Dantes, pois bem, o meu pai sempre me disse que as pessoas têm memória curta, facto este que é geral, e que não o considero como um defeito ou problema mas é quase como uma condição inata do ser humano. A ingratidão por sinal, é que já é certamente um defeito. Num momento, em que tanto se fala de liberdade, repugna-me ver manifestações com cartazes cujas inscrições dizem "Volta Salazar, estás perdoado!" Terão os autores destas frases nascido noutro planeta? Mais grave, os autores destas frases, viveram o antes - 25 de Abril, na sua maioria. Será a memória assim tão curta que lhes tenha apagado momentos de sofrimento de todo um povo oprimido e sujeito à ditadura daqueles que sendo poucos decidiam o que era melhor para todos?
Aprecio especialmente a época do 25 de Abril, apesar de não a ter vivido. Felizmente cresci em liberdade mas a coragem daqueles homens foi-me transmitida como um exemplo. Às vezes pergunto-me se como povo, nos esquecemos da pobreza envergonhada e silenciosa em que os portugueses viviam, num silêncio de pensadores consigo próprios?
O meu pai, que muito me ensina, por vezes diz em jeito de brincadeira "Há gente que devia pagar multa por falar". Pois bem, quem exibe cartazes destes pelas ruas, pondo certamente as crianças a pensar que Salazar era um super-herói do tempo dos avós, se não devia pagar multa, deveria pelo menos ter sido brindada com um pouco mais de inteligência, um pouco mais de respeito e um monte de valores que serão tantos em falta que ficaria aqui o resto do dia a enumerá-los.
Cansa-me que tantas pessoas se agarrem a um passado que não foi melhor. A um passado que uns poderão dizer que eram mais felizes (porque o conceito de felicidade é individual e pessoal), mas que certamente não era melhor.
As memórias das vivências falarão por si, ou em alguns casos se apagarão por si...
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